HISTÓRIAS DE ALPENDRE

Besta Fera


Este mito é uma mistura de cavalo com Lobo, também chamado de cavaleiros das trevas.

Anda sempre em alta velocidade com sua matilha de cães sanguinários. O assombroso trote junto com uma algazarra infernal dos seus cães é mais que suficiente para amedrontar as famílias, que moram na zona rural nessas noites. Não se sabe ao certo de onde sai essa temível criatura.

Acredita-se tratar-se do próprio Demônio em pessoa, que sai das profundezas onde mora em noites de lua cheia, para correr pelas estradas e pequenos povoados no sertão.

Como se fosse uma "Besta", enquanto corre, a criatura emite uma espécie de relincho que se assemelha a um assovio. É coisa pavorosa, pois alguns dizem tratar-se de uma gargalhada.

Eventualmente, ele para diante da porta de uma casa. Nesse momento é possível ouvir sua respiração ofegante, coisa do outro mundo. Nessas horas, com frequência, ele arranha as portas ou janelas com suas grandes e afiadas garras. Aconselha-se à pessoa rezar o "Credo" para que ele então siga seu caminho. A simples menção do seu nome, logo se faz o sinal da cruz e três vezes se reza a Ave-Maria.

Relato real:

Voltava tarde da noite da casa de um amigo meu, onde sempre ia assistir televisão e prosear sobre o meu sertão.

Estava tranquilo e apenas o frio era minha preocupação naquela hora.

Então, ao longe escutei o que parecia ser os latidos de cães, muitos deles, como se perseguissem algum bicho. Como desciam pela mesma estrada por onde eu caminhava, resolvi fica no aceiro da estrada para não dar de cara com eles.

Nesse momento escutei o trote de um cavalo que descia ladeira abaixo, desembestado, dando terríveis relinchos e galopando em minha direção.

Atrás dele, dezenas de cachorros o acompanhavam em grande algazarra. Era noite clara de lua, e o barulho estava cada vez mais perto. Com certeza aquilo não era coisa desse mundo.

Não sabia o que pensar na hora, mas o que quer que fosse não era coisa boa de si ver. Pensei em correr, mas pela proximidade dos latidos não daria mais tempo. Escondi-me atrás de uma árvore e esperei de repente o trote diminuiu, como se o "cavalo" estivesse procurando alguma coisa, dava para escutar sua respiração ofegante.

Não teve outro jeito comecei a rezar, e segurei o cabo da minha "faca" era costume andar com faca no sertão naquela época.

Foi aí que pude ver mais adiante um imenso vulto de uma criatura medonha, muito maior que um homem, com pernas de cavalo e cabeça de Lobisomem lobo ou algum assim. Então, ao invés de descer pela estrada na minha direção, embrenhou na mata com os animais no seu encalço, dava para escutar a quebradeira dos galhos, com passar do tempo foram diminuindo e desapareceu. Apenas eu e Deus sabemos como consegui chegar em casa naquela noite de tanto medo.

Fonte: Antônio Dantas, para OpenBrasil.org
Foto: A/D - Arquivo OpenBrasil.org

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