HISTÓRIAS DE ALPENDRE

Asa-Branca (Poesia)



No final da tarde, Asa-Branca pousa no topo da aroeira.

De olho nela, esperando o seu cantar.

De repente ela se assusta e deu de arribar.

Sempre naquele horário ela era de se esperar.

O sol vai sumindo; a Asa-Branca não deu de voltar.

Eu fui embora para outro lugar e, não ouvindo mais a cantar.

Depois de muitos anos à minha terra voltar.

Encontrei uma Asa-Branca triste na gaiola a cochilar.

Presa na gaiola no canto do alpendre da casa é de arrepiar.

De cabeça baixa e triste passou a cantar.

Cantar é seu jeito da busca de se comunicar.

Ficando sem resposta de o seu gorjear.

O dia vai acabando e presa vai ficar.

Uma grande injustiça deve estar com vontade de voar.

Vendo fechada a porta da gaiola me deu vontade de soltar.

Fui embora pensando nela e um dia hei de voltar.

Fonte: Monsueto Araújo de Castro, para OpenBrasil.org
Foto: A/D - Arquivo OpenBrasil.org

Histórias de Alpendre - OpenBrasil.org

Postagens mais visitadas