HISTÓRIAS DE ALPENDRE

A Botija Perdida


A vida na fazenda não é fácil. A rotina diária é acorda muito cedo, é comum o trabalho começar as 3 horas da madrugada, tira leite da vacaria, fazer queijo, alimentar o gado, ovinos, caprinos...etc e a labuta vai até o anoitecer.

Em uma bela madrugada de julho, com aquele frio caraterístico do mês, no caminho que ligava a casa ao curral onde fica a vacaria, seu João Araújo teve um susto de matar qualquer um do coração, uma alma materializou-se na sua frente, seu João ficou paralisado. A alma disse que ia lhe dar uma missão, e que no final ele seria um homem muito rico. Se tratava de um botija cheia de ouro que está enterrada no sopé da Serra de Santana debaixo de um velho pé de Juazeiro. Dado o recado, a alma desapareceu, seu João, foi trabalhar. Lembrando das antigas histórias de botija, decidiu não falar para ninguém.

Os dois dias seguintes, a alma materializou-se deu a mesma missão, e assim libertando a alma penada para continuar sua viagem, sua evolução.

Seu João contou ao seu irmão José que interessado na partilha do ouro comprometeu-se em ajudá-lo na macabra empreitada. Em uma sexta-feira, à meia-noite, seu João e José saíram dizendo que iriam caçar, foram até o ponto indicado pela alma penada.

No caminho escuro e frio até o sopé da serra, começaram a perceber sombras que se moviam entre galhos da caatinga naquela noite gélida, ouviram gritos e gemidos, embora o medo lhes percorressem pela espinha a ganância era maior.

Chegando ao local indicado pela alma penada, debaixo do velho juazeiro começaram a escavar. De repente sentiam algo ou "alguém" os empurrando, naquele chão duro, quando um fraquejava o outro lembrava as riquezas que estavam ali enterradas então continuavam... Começaram a ver bodes negros com os olhos em brasa, morcegos que zuniam em seus ouvidos, uivos aterrorizantes e de repente cobras de todos os tamanhos e tipos enroscando-se em suas pernas... Demônios com olhos de labaredas de fogo, almas penadas arrastando correntes em meio aquele mata cheia de pedras.

Foi quando o instinto de sobrevivência falou mais alto... Largaram as ferramentas e correram para suas casas rezando como beatas para que não fossem perseguidos por aquelas aparições macabras... Quebrando assim algumas regras e pior, caíram na "Maldição dos Covardes"... Nem durante o dia ousaram voltar ao local para ao menos recuperar as ferramentas... Ambos vieram a falecer em estado lastimável de pobreza...

É mais uma, das milhares histórias de botijas no sertão do Seridó potiguar.

Acesse também:
11 regras para se tirar uma botija

Fonte: Redação OpenBrasil.org
Foto: A/D - Arquivo OpenBrasil.org

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