HISTÓRIAS DE ALPENDRE

A Herança e a Ganância


Seu Manoel Araújo, no alto dos seus 88 anos recebe sua extrema-unção, pede ao padre que chame seus dois únicos filhos que estão na sala para dizer suas últimas palavras no leito de morte.

Seu Manoel com a voz cansada e tremula, fala:

- João e José, sabes que tenho muito amor por vocês dois, quero que parem com as diferenças bobas, não me resta muito tempo aqui na terra, então serei breve; a fazenda fica com meu filho João, já que gosta da vida rural, tem amor por isso aqui, já o casarão do centro da cidade fica com meu filho José, que não larga a vida urbana por nada.

Pausa, respiro forte, tão de acordo.

- Sim meu pai. Responderão os dois filhos.

- Agora vem a melhor parte, e essa será dividida entre vocês dois. Aqui na fazenda, no final do maior cercado de gado, tem um pé de Pereiro, debaixo dele tem uma pedra redonda grande, retire a pedra e cave uns 3 palmos, e acharás uma botija cheia de ouro.

- Ouro. Falaram alto os filhos surpresos.

- Sim, ouro, sabes que sou um homem antigo, não confio em banco, e guardei minhas economias de uma vida de muita luta aqui na fazenda lá. Tire e reparta em partes iguais, deixe passar a missa de sétimo dia, e vá os dois retirar o tesouro, e que Deus os abençoe, use com sabedoria.
Disse seu Manoel, e essas foram suas últimas palavras.

Os dois filhos tinham muitas desavenças, João achava que José era um boa vida, que só levava o tempo em gastar o dinheiro do pai em suas farras na cidade, já José achava que João vivia na fazenda para ficar com a preferência do pai na partilha dos bens, nunca foram amigos.
Após a missa do sétimo dia os dois se encontraram na fazenda umas 4 horas da manhã, na quebrada da barra, como diz o sertanejo, para retirar o tesouro do local indicado pelo pai.

Depois de uma boa caminhada, chegaram ao local.

- Mano, acho melhor você cavar, já que tens mais habilidade com essas ferramentas. Disse José.

- Meu maninho, cavo com maior prazer, segure essa garrafa de vinho que eu trouxe para comemoração, apesar da perda de nosso pai, ganhamos um tesouro, estamos ricos. Disse João.

João e José moveram a pedra, e João começou a cavar sem descanso, logo achou a botija de ouro, quando João abaixou a cabeça para pegar o pote de ouro... vap! pof! tou!
José deu uma paulada fatal, João morreu instantaneamente, tamanha força aplicada na sua cabeça.

- Você achava que eu ia mesmo deixar você com essa fazenda, e a metade do ouro... Ah! Ah! Ah! He! he! he! eh! eh! rê! rê!... vai virar estrume, mané.

Vou beber seu vinho em sua memória, maninho, Glub! blub! glug!... aaaah que vinho doce, doce como minha vitória, vou farrear até mundo acabar...
Oops! upa!, Ouch! ai! aaai!... o que está acontecendo, maldito, maldito, esse vinho está envenenado. E essas foram suas últimas palavras de José antes de cair ao lado de seu irmão João.

A ganância desenfreada é muito perigosa, os dois irmãos tinham o mesmo plano, matar um ao outro, e ficar com todo riqueza para si, no fim, ficaram sem nada.

"Quem confia em suas riquezas certamente cairá, mas os justos florescerão como a folhagem verdejante" (Provérbios 11:28).


Fonte: Redação OpenBrasil.org
Foto: OpenBrasil.org

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