HISTÓRIAS DE ALPENDRE

Nasce Uma Lenda - Boca Negra


Depois de muitas confusões e acusações de abas partes, e briga judicial que já durava 13 anos, finalmente chega ao fim.

As irmãs solteironas, Maria das Dores e Maria José brigavam a anos pela herança do pai, uma fazenda no sertão do Seridó de 1200ha.

Maria das Dores achava que tinha que ficar com a fazenda, já que morava lá desde pequena, e nunca tinha saído, já Maria José queria vender tudo, é comprar um apartamento em Natal, capital do Rio Grande do Norte, onde ela já resida a anos. Maria das Dores reclamava que mesmo ela ficando com metade da eventual venda da fazenda do pai, não compraria uma fazenda na região com tantas benfeitorias como do seu pai, sem falar no amor que ela tinha pelo lugar, já sua irmã queria mesmo era um apartamento a beira-mar na capital potiguar. Daí a brigar se arrastar por longos anos.

Após muita briga, Maria das Dores não resistiu, e sofre um infarto fulminante, vindo a óbito, sua irmã não se deu o trabalho nem de vir ao enterro.

Passados alguns meses, finalmente Maria José tomou posse definitiva da fazenda, já que sua irmã não tinha filhos.

Maria José antes de vender a tão sonhada herança, resolveu passar uns dias na fazenda, para ver qual era a verdadeira situação do lugar, e arrumar alguma coisa se fosse o caso.

Chegando lá, se admirou com a conservação do lugar, parecia até os tempos de menina na fazenda, tudo bem cuidado, como seu pai gostava e fazia.
Após uma bela noite de sono, sonhando em morar a beira-mar da capital, fruto da herança do seu velho pai, na manhã seguinte, começou a sentir uma dor fortíssima na perna direita, e uma dificuldade para andar, como se a perna estivesse pesada, cansada, mas achou que foi a caminha na fazenda, vendo açudes, currais, estábulos e tudo mais.

Ao longo do dia a dor e o cansaço da perna só aumentava, então resolveu ir para cidade de Caicó, se consultar, após os comprimentos com o médico da família que não falava anos, relatou seus sintomas, depois de examiná-la, o médico disse que não tinha nada aparente que se pudesse se preocupar, provavelmente seria a caminha na fazenda, já que era muito grande, o médico receitou alguns analgésicos e pomada para massagear a perna.

Voltando para fazenda, mesmo com a pomada e analgésicos, a dor não passava, só aumentava. Pediu que a cozinheira da fazenda, que trabalhava lá a anos lhe fizesse uma sopa, e depois poderia ir embora, pois queria ficar só e descansar.

Quando passava das 6 horas da noite, Maria José levantou da rede no alpendre onde dormiu a tarde toda e se dirigiu a sala de jantar, quando passava em frente de uma antiga cristaleira de portas de vidro, pelo reflexo percebeu algo em sua perna, olhou rapidamente para atrás, não viu nada, tornou a olhar para o vidro da cristaleira tornou a ver algo como fosse um grande pano amarrado as suas pernas, mais o reflexo não era nítido, correu em desespero com dificuldade para o quarto do pai onde tinha um grande espelho com moldura trabalhada em magno, e viu a visão aterradora, onde ficou temporariamente paralisada de medo, sem reação alguma, era a alma de sua irmã, vestindo um vestido longo, cabelos desgrenhados, olhos totalmente brancos, segurando sua perna direita com força, quando sua boca negra começou a abrir lentamente, de dentro saíram várias moscas e varejeiras, e ela exclamou com todo seu ódio: - VOCÊ ME PAGA!!!!!

Maria José deu um enorme grito e saiu correndo para seu quarto, ao passar pela cristaleira a mesma se estilhaçou por inteira. Maria José entrou em seu quarto e cobriu-se com seu lençol, um silêncio aterrorizante se instalou no antigo casarão. Só e morrendo de medo, sem ninguém por perto para pedir ajuda, não sabia o que fazer, quando notou algo entrando debaixo de seu lençol, o pânico estava estampado em seu rosto... aquela respiração fria fungando seu corpo, quando ela olhou debaixo do lençol, algo cortando o ar rapidamente... fuiiim! vuum! zum!.

Dona Maria José, foi encontrada pela cozinheira e o vaqueiro da fazenda pela manhã, ela tinha marcas de estrangulamento no pescoço.

Claro, que a polícia nunca encontrou nenhum suspeito.

No laudo do Instituto Médico Legal, declara causa morte por asfixia mecânica, causada por estrangulamento. O detalhe da anotação do médico legista é aterrador:

E visível o desenho da mão no pescoço da vítima, a pele no local parece ter sido exposta a alta temperatura devido aos tecidos necrosados por queimadura de 3º grau, como se a mão do agressor tivesse em chamas, a força aplicada no estrangulamento foi de tal grandeza que quebrou a sete vértebras do pescoço, algo sobre natural.

Desde do acontecido, a fazenda já foi adquirida diversas vezes, sempre tendo fim trágico. Hoje ela se encontra abandonada. Todos temem entrar naquela propriedade, coisas ruins e demoníacas acontecem por lá.

Dizem que Maria das Dores, ao sentir uma forte dor no peito, e percebendo que iria morrer, e consequentemente deixar tudo para sua rival, amaldiçoou a própria vida com toda força de sua alma, tanto que ficou com a boca negra, e olhos cegos pelo ódio.

Quando alguém morre com ódio, uma mágoa profunda no coração, todo esse sentimento negativo se transforma em uma maldição. Às vezes uma grande mágoa ultrapassa as barreiras da vida.

Fonte: Redação OpenBrasil.org
Foto: OpenBrasil.org

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