O Gaúcho Macho e o Vaqueiro Esperto


Essa história conta a peleja do gaúcho machão e do vaqueiro esperto.

Naqueles tempos onde não havia estradas, tempos de mata densa e fechada, os vaqueiros do sertão tinham papel importantíssimo para o transporte do gado entre fazendas e cidades.

Um trabalho manual, quase que artesanal, de montar no lombo de um cavalo, entoar aboios que hipnotizam centenas de cabeças de gado, percorrer longas distâncias nos sertões afora de sol a pino, arriscam suas vidas em plena caatinga nordestina, um homem humilde que roga a Deus e seus santos em festas de apartação, um verdadeiro herói do sertão.

Certa vez, em um desses deslocamentos transportando gado pelo sertão encontrava-se um vaqueiro seridoense e um gaúcho, o único forasteiro naquelas paragens e dono do gado. Muito falastrão, sempre falando de suas proezas e claro, a macheza do gaúcho do Rio Grande.

Em uma daquelas paradas para descanso, boca da noite, enquanto o vaqueiro preparava a fogueira e posteriormente a janta, o gaúcho continuava falando.

- Tchê, aqui no Rio Grande do Norte não tem macho corajoso como os gaúchos do Rio Grande do Sul.

O vaqueiro diz,

- Olha patrão, já vi vaqueiro do Rio do Norte fazer gaúcho do Rio do Sul comer merda.

- Bá, tchê, daria 20 cabeças de gado para o homem corajoso que conseguisse tal proeza. Exclamou o gaúcho.

- Patrão, não diga isso, patrão! Indagou o vaqueiro.

- Bá, eu aumento, daria 60 cabeças de gado para o homem que for capaz de fazer um gaúcho comer merda, digo e repito, palavra de gaúcho é lei. Exclamou em voz alta.

Fogueira acessa, cai a escuridão profunda na caatinga, logo o sono também. No alto da madrugada fria do sertão ouvisse um grito forte, aaaí, tchê... bá que isso....

O vaqueiro pergunta ao gaúcho o que foi, o gaúcho disse que algo tinha lhe picado bem lá na retaguarda.

- Tenho que matar a cobra para ver qual o tipo, pode ser mortal. Diz um vaqueiro.

Poucos minutos depois,

- Matei, matei a danada,

- Qual tipo é? Pergunta o gaúcho preocupado.

- Patrão, tenho uma má notícia para o senhor, é uma Surucucu Leão do Norte.

- Bá, é perigoso.

- Depois dá picada, só tem 2 horas de vida.

- Tchê, não tem remédio não???

- Patrão, tem sim, mas acho que o senhor não quer saber não.

- Bá, diga logo... homi

- Chá de bosta.

- Bá, o que você está dizendo.

- Chá de bosta de gente, patrão, é o único remédio conhecido para curar a picada da Surucucu Leão do Norte.

- Tchê, nunca ouvi falar de tal serpente.

- Patrão, só encontrada aqui pela caatinga.

- Bá, faça longo esse chá homi, aproveita, me dá logo um pedaço para mim ir mascando até o chá ficar pronto.
Depois do chá tomado e pedaço mascado o vaqueiro fala:

- Bem, o patrão está curado, mas agora tenho que separar as 60 cabeças de gado, afinal, palavra de gaúcho é lei.

Quanto a cobra nunca existiu, o quê lhe picou foi dois espinhos de mandacaru que eu mesmo espetei no seu...

- Bá, é justo, me lasquei...

Fonte: Redação OpenBrasil.org
Foto: A/D - OpenBrasil.org

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