HISTÓRIAS DE ALPENDRE

A Casinha Onde Eu Morava


Gilvan do Acordeon – músico jardinense (Jardim do Seridó / RN), hoje morador de Acari / RN – Descreve a saudade que sentia do tempo de criança aprendendo a tocar sanfona.

A sua saudade preencheu o peito do poeta que habita em mim, poeta esse dado a se colocar no lugar dos outros para pôr em versos os sentimentos alheios como se dele fossem. Eis:

A casinha onde eu morava
Não tinha porta na frente
Tinha apenas um batente
Por onde a gente passava
Mas a portinha estava
Na lateral cimentada
Da casinha ocupada
Por gente simples e feliz
Onde eu fui um aprendiz
De poesia musicada.

Criança determinada
Que por tudo se apaixona
Comecei tocar sanfona
Fiquei com a alma alada
Voei na nota escalada
Do baixo e do seu teclado
Num vai e vem ensaiado
Hoje vivo de poesia
De sanfona e de alegria
E por Deus abençoado.

Sigo assim o meu legado
Levando música ao povo
Cantando o que é novo
Mas relembrando o passado
Sou um passarinho alado
Que desde cedo cantava
Que vivia e não esperava
Sofrer pelo antigamente
Lembrando a janela da frente
Da casinha onde eu morava.

Poesia: Gilvan do Acordeon
Foto: Márcio Vasconcelos

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