HISTÓRIAS DE ALPENDRE

A lenda da "Fulozinha"



Diz a lenda "Fulozinha" é uma alegre e mágica caminhante de longos e abundantes cabelos negros (à noite tornam-se acobreados, cor-de-fogo) que vive desde da Zona da Mata do litoral nordestino a caatinga abrangendo os estados de Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte. Esse ser mitológico dedica seu tempo a proteger plantas e animais no que resta de áreas de floresta no Nordeste.

Misteriosa, dizem que "Fulozinha" aparece e desaparece num piscar de olhos, sem deixar rastros. Brincalhona, diverte-se fazendo e desfazendo tranças na cauda dos cavalos. Mas quando o assunto é a proteção da natureza, torna-se séria. Com os caçadores, usa a tática dos assobios para desorientá-los até fazê-los perder a caça, se o caçador ou lenhador insistir na empreitada, ela da uns açoite com seus longos cabelos que doí mais que um chicote.

Dengosa, gosta muito de receber presentes. Mingau, doces, e mel são seus preferidos, sempre num prato ou tigela de cerâmica. Popular, em vez de “Florzinha”, prefere ser chamada mesmo é de “Fulozinha”, que é o sotaque típico do Nordeste. Contam que quando emburra, dá nós em rabos de cavalo e que, pra desatar, só com presentes.

Dizem que "Fulozinha" nasceu no período colonial, na mesma época do Saci e do Curupira, e que é parente próxima do Caipora.

Em vida "Fulozinha" morava com seu padrasto, um caçador num sítio afastado da cidade. Certo dia, quando ela tinha 8 anos de idade "Fulozinha" se distraiu brincando com sua boneca de pano, que sua mãe havia feito para ela pouco tempo antes de falecer de uma terrível doença, então a menina lembrou-se que tinha esquecido de fazer o almoço do padrasto, como sua mãe tinha falecido, ela ficou responsável por todos afazeres do casa, mas já era tarde demais, ele chegou em casa e não tinha comida feita, furioso ele pegou um chicote e bateu muito nela, a menina chorava de dor, apanhou tanto que o chicote cortou sua pele chegando a sangrar. Desesperada saiu correndo para dentro da mata para não apanhar mais e sumiu, acabou se perdendo, infelizmente era um ano de grande seca, a pobre menina faleceu de fome e sede.

A lenda ainda conta que a primeira pessoa a levar uma surra homérica, foi seu próprio padastro, em uma de suas caçadas. Conta ainda, que depois do acontecido, ele deixou a profissão de caçador e virou agricultor, mas passou o resto da vida atormentado pelo medo de ver a criatura novamente.

Desde então, seu espírito vive vagando e aterrorizando quem destrói a natureza, ou quem a chama de cabocla, porque desse nome ela não gosta mesmo!

Cuidado com a "Fulozinha", se você estive na mata, pensando em caçar ou derrubar alguma árvore, se escutar um longo assobio, é o aviso para você se mandar dali. Agora se insistir, vai tomar uma surra da "Fulozinha" de nunca mais esquecer.

Fonte: Redação OpenBrasil.org / Cultura Nordestina
Foto: Murilo Silva

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