HISTÓRIAS DE ALPENDRE

O poço de Padre Cícero no Seridó



O poço de Padre Cícero, também conhecido como Poço de Jacó e a Capelinha do Milagre, estão situados na comunidade Manjericão, zona rural de Cerro Corá / RN, foram construídos pelo agricultor Elói Ferreira, sendo uma orientação do Padre Cícero Romão Batista dada ao agricultor.

A história começa na seca intensa em que assolou toda região do Seridó potiguar em meados de 1913, que se estendeu até 1915 (O Quinze -romance de Rachel de Queiroz) também conhecida como uma das mais cruéis secas que se tem notícia no sertão nordestino.

O agricultor Elói Ferreira saiu a pé do seu sítio no município de Cerro Corá na região do Seridó potiguar, para pedir ajuda a Padre Cícero em Juazeiro, no Ceará, em 1913 água era coisa rara devido as chuvas fracas que caíram naquele ano.

Naqueles tempos difíceis de secas calamitosas, os romeiros famintos e sedentos debandavam a Juazeiro no estado do Ceará, vindos de todos os cantos do sertão, e Padre Cícero atendia a todos. Além de orações e bênçãos, o padre encontrava soluções para tudo, de questões espirituais, trabalhos, alimentação, doenças e até desavenças.

Sempre o bom e venerável “Padim Ciço” pregava com insistência: “Em cada casa, um oratório; em cada quintal, uma oficina.”

E o povo saudava:
“O nome do padre Cícero / ninguém jamais manchará, / porque a fé dos romeiros / viva permanecerá, / pois nos corações dos seus / foi ele um santo de Deus / e para sempre será. ”

Chegando no Juazeiro o agricultor procurou Padre Cicero, lhe pediu morada e trabalho no Juazeiro, pois para sua casa não podia voltar, nem água de beber existia por lá, seca cruel e ferina, destroem o rebanho, o roçado e a família.

Padre Cícero escutou e olhou profundamente em seus olhos e então, orientou que o agricultor voltasse a sua casa, e que da porta da casa se contasse 40 passos, no pé da serra fosse cavado um poço e que lá daria muita água, antes de senhor Elói Ferreira ir embora Padre Cícero deu a seguinte recomendação, “lembra-se, não negue água a nenhum necessitado, dívida, sempre compartilhe com quem precisa e nunca lhe faltará”.

Assim o agricultor voltou para sua terra, muitos o chamaram de louco, mas depois de muito esforço e trabalho enfim encontrou água.

O poço foi aberto ainda em 1913 e sempre possuiu bastante água, e até os dias atuais nunca secou por maior que fosse a seca.

Dessa forma, o agricultor construiu a Capelinha do Milagre, em 1915, que tem como santa padroeira, Nossa Senhora Perpetuo Socorro.

Fonte: Redação OpenBrasil.org
Foto: Prefeitura de Cerro Corá / RN

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