HISTÓRIAS DE ALPENDRE

A Peidona do Jardinense



Amigos e amigas, esta história que vou lhes contar é verdadeiramente de amargar.

Uma senhora muito distinta, sempre arrumada, mas por onde andava soltava das suas bufinhas e bufonas.

Ela adora viajar, como não sabe dirigir, anda nos ônibus da viação Jardinense do interior para capital do Rio Grande do Norte, Natal e visse versa.

Ela não tem a menor vergonha, no ônibus, na consulta ao médico, no hospital, onde dá vontade de soltar aquela flatulência ela solta, mais conhecida no sertão por bufa.

Porque, para você que não sabe vou lhes dizer, a bufa é diferente do peido:

O peido faz barulho, mas tem um mau odor razoável, suportável.

Mas a bufa, meu amigo, amarga, o vento não leva, ela roda, roda e entra na sua narina mesmo sem você querer.

Certa vez, em uma viagem do interior para capital, a senhora dormiu, e solta a famigerada bufa, podre, meus amigos, um “cabra” que ia na cadeira de trás gritou:

- “Cobrador, cobre mais caro, tão carregando carniça aqui “homi”.”

Outro gritou:

- “Motorista, pare aí, meus olhos estão ardendo meu filho, pare aí para a gente sair para respirar.”

E foi aquela algazarra. Eu com vergonha fiquei bem caladinho, minha esposa, por sinal filha dela também.

Também vou deixar bem claro, não porque ela minha sogra não. O caso é grave mesmo, acha que não? Pegue o ônibus Jardinense, quando você vir uma senhora bem arrumadinha com óculos grandes no rosto tirando um cochilo, então sente ao lado dela, senta que lá vem a bufa podre.

Outra ocasião, nós víamos de Natal para o interior, claro, eu sentei bem longe, ela cochilou, e soltou aquela poderosa bufa, a catinga era tanta, que a passageira ao lado dela saiu correndo para outra cadeira, minha sogra acordou e disse:

- “Essa foi de amargar...”

Quando desceu do ônibus, colocou a culpa na estudante que estava sentada ao lado dela. Eu para não criar uma celeuma disse:

- “Foi mesmo...”

Certa vez, fui ao médico com ela, a danada ia fazer o exame da esteira, um exame para ver como está o coração. Fiquei no corredor com vários acompanhantes dos pacientes já que todos eram idosos e idosas, daí ela disse a enfermeira, vou no banheiro, eu disse:

- “Meu Deus...”

Eu estava no corredor com um monte de pessoas, e minha sogra é uma pistola sem silenciador.

- “Pummmmm pei pei buuuf pruuur fummmm (bem alto).”

Olha, desde já, peço que algum deputado se compadeça, faça um projeto de lei, os banheiros públicos deveriam ter um isolamento acústico Premium.
Rapaz, todo mundo olhou para mim rindo, e o pior estava por vim, quando abriu aquela porta, parecia que a fossa tinha estourado.

Um rapaz que acompanhava sua mãe, ficou com ânsia de vômito, eu prendi minha respiração, não ia querer morrer ali. Eu vi gente ficar amarela.

Noutra vez já no hospital, ela foi retirar sinais, destes que nascem com a idade e a exposição ao sol quando jovem.

Minha esposa estava com ela lá, foi só colocar a bata do hospital que começou a sessão tortura, foi tanto peido, vulgo bufa que até as enfermeiras se assustaram.

Um murmurou no pé do ouvido de outra:

- “Nunca na história desse hospital, teve algo assim...”

Certa vez, em uma das viagens dela, depois da parada para o almoço na estrada, ela subiu no ônibus, sentou em sua poltrona novamente e tirou aquele cochilo. Parece que afrouxou tudo, e o resultado disso não foi visível, e sim sensível as pobres narinas inocentes que estavam naquele local confinados com aquela senhora, ela soltou aquele traque maligno, violento mesmo, um poeta popular, que estava no ônibus vendo aquilo, fez um verso na mesmo hora:

Dona Maria arrebenta,
Na hora do almoço se alimenta,
A comida fermenta,
Quando tirar um cochilo,
Solta peido, que nem o diabo aguenta,
Eita bufa desalmada....


É inegável que a maior quantidade de vítimas foi feita nas viagens do ônibus da Viação Jardinense, 40 passageiros de uma só vez com uma única bufa poderosa. Então, lembre-se ao subir no ônibus olhe quem é o coleguinha ao lado da poltrona, pois pode ser aquela entidade, A Peidona do Jardinense.

Nessa hora só tem uma solução:

Segura na mão de Deus e vai
Se as tristezas desta vida quiserem te "sufocar"
Segura na mão de Deus e Vai...


Fonte: Redação OpenBrasil.org
Arte desenho: Mailson Amâncio (ônibus)
Arte modificações: Thiago martins (ônibus)
Arte externa: OpenBrasil.org (ônibus / paisagem)

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